Amor à luz do luar


Sozinho, com a família aproveitando as férias escolares para visitar parentes em outro Estado, sentia pela primeira vez, depois de quase 20 anos de casado, aquela gostosa sensação de estar solteiro e de desfrutar, ainda que por um mês, a liberdade de passear livre pelas ruas, depois do expediente, revendo amigos e observando, sem compromisso com horários, o vai e vem das pessoas, a maioria trazendo no rosto aquela alegria fácil e expontânea, típica do curto verão curitibano.

Circulando calmamente pela Rua das Flores, como costumava fazer naquelas noites do ano de 1996, me distraía observando os grupos de pessoas que discutiam animadamente à frente dos cafés, os bandos alegres de jovens que passavam em direção aos pontos de diversão, e as famílias que iam e voltavam dos cinemas, restaurantes e lanchonetes centrais. Minha atenção, contudo, se concentrava nos homens que circulavam sozinhos, com aquele jeito típico de quem não tem um destino aparente. No fundo, procurava instintivamente, mesmo sem muita consciência disso, adivinhar quantos daqueles não estariam, como eu, tentando encontrar alguém capaz de amenizar um pouco uma acentuada carência de contato e de carinho masculinos, comum aos casados que convivem com a condição de bissexual.

Na verdade, esta busca, como já disse, era mais instintiva que proposital, porque simplesmente não me passava pela cabeça a hipótese de um relacionamento homossexual, em minha própria cidade. Mesmo não sendo nenhum homem público ou personalidade conhecida, sempre me aterrorizou o simples pensamento de ver um dia a minha vida familiar destruída, em decorrência de uma aventura inconsequente. Mas, como se costuma dizer, “olhar não ofende”.

E quem não gosta de admirar o belo, especialmente quando se trata desse tipo de pessoas que mais parecem obras-primas da natureza, concebidas para serem admiradas e para bulir com nossa sexualidade?

E foi assim, olhando com a máxima discrição, para não ser notado, que meus olhos se cruzaram com os dele.

Francisco também não me encarou, mas quem é homossexual sabe muito bem que desenvolvemos uma espécie de sexto sentido, uma espécie de “sensor” eletrônico capaz de nos alertar, com bastante segurança, para o menor sinal de afinidade. E aquele brilho que percebi em seus olhos era muito claro. Por isto, evitando olhar para trás, continuei com meu passeio, mas já preparado para retornar pela outra calçada, tão logo chegasse à próxima esquina, como alguém ocupado em observar as vitrines das lojas. Quem sabe não haveria uma chance de voltar a vê-lo?

Evitando acelerar o passo, para não denunciar meu interesse, na eventualidade de estar sendo observado, demorei bastante para chegar de volta ao ponto onde nos havíamos encontrado. Em função do tempo decorrido, não esperava mais revê-lo. Mas ele estava lá. Atravessara a rua e se encontrava agora parado ao lado de uma banca de revistas, numa posição estratégica que lhe permitia, ao mesmo tampo, fingir que lia as manchetes dos jornais expostos e observar as pessoas que passavam.

E novamente nossos olhos voltaram a se cruzar. Só que, desta vez, sem deixar qualquer dúvida sobre o interesse e a intenção de cada um de nós.

Mesmo tendo em mente o risco que corria, resolvi parar ao seu lado, como querendo também ver o conteúdo dos jornais. Logicamente, não pude deixar de observar, enquanto fingia ler, o homem que era objeto do meu interesse.

Francisco era um rapaz entre 25 e 27 anos, moreno escuro, cor de canela, cabelos negros e curtos. Suas traços, embora comuns, eram bonitos e sensuais, especialmente os lábios carnudos e os olhos escuros e profundos.

Mas o que mais chamava a atenção era o seu corpo. Possuía um tórax forte e amplo, típico de um atleta, e um par de coxas grossas e fortes, que roupa nenhuma conseguia ocultar. Tinha cerca de 1,85 de altura e cerca de 85 kg de músculos bem distribuídos. A verdade é que, no conjunto, aquele rapaz decididamente me atraía, mexendo com meus nervos e meus hormônios.

Já me propunha a continuar meu passeio quando ele, voltando-se, me cumprimentou polidamente e começou a comentar sobre uma das manchetes que acabara de ler no jornal. E fazia isso com tal intimidade e desembaraço que qualquer pessoa que passasse no momento teria a impressão de que se tratava de dois velhos amigos. Resolvi entrar no jogo e ver até onde iríamos. E assim, dentro de pouco tempo, conversávamos animadamente sobre diversos outros assuntos, incluindo aspectos pessoais.

Foi então que soube que ele se chamava Francisco, que era de uma cidade do interior do Estado, que jogava futebol, como amador, e que estava em Curitiba tentando ingressar na carreira profissional. Disse que naquela tarde fizera testes num grande time da capital e que estava animado frente a possibilidade de uma possível contratação. Era noivo e, dependendo de seu sucesso, pretendia casar ainda naquele ano.

Preocupados por estarmos parados em um ponto bastante exposto, propusemo-nos a caminhar um pouco pelas imediações, embora ele fizesse isso com alguma dificuldade, em decorrência de uma forte pancada que recebera na perna esquerda, durante o treino daquela tarde. Em pouco tempo, livres de olhares curiosos, não tivemos dificuldades, adultos como éramos, em dirigir a conversa para o assunto que de fato dera origem ao nosso encontro.

Francisco não escondeu o fato de ser bissexual e de lutar para ocultar, de todas as formas, seu gosto por homens, especialmente por homens maduros. De minha parte, decidi também que devia abrir o jogo, contando que era casado, pai de dois filhos, que adorava a minha família, mas que mesmo agora, depois de quase 20 anos de casamento, não conseguia conter os apelos do lado homo.

A verdade é que aquela conversa ia, pouco a pouco, despertando toda a minha sexualidade, o que era facilitado pela presença daquele rapaz sensual ao meu lado, pela minha longa abstinência de contato com um corpo masculino e pelo enorme clima de paz interior que o sentimento de liberdade momentânea e a beleza daquela noite de verão me proporcionavam. E foi por isso que aquela firme decisão que tinha, até momentos atrás, de nunca transar em minha cidade, foi facilmente quebrada ao primeiro convite que Francisco me fez para acompanhá-lo até sua casa.

Não posso negar que senti um forte receio, especialmente quando ele me disse o local em que morava. Tratava-se de um dos bairros mais distantes e pobres da cidade, cujo alto índice de criminalidade era comprovado quase que diariamente nos jornais. Disse que estava parando na casa de seu futuro cunhado, rapaz solteiro e bastante humilde, que já morava há algum tempo em Curitiba. Como trabalhava à noite, poderíamos dispor livremente da casa.

Avaliando a situação e confiando nas boas impressões que Francisco me causara, resolvi deixar de lado as minhas apreensões e, utilizando o meu carro, estacionado a alguns quarteirões, nos dirigimos para o local.

O bairro, apesar de extremamente pobre, era densamente povoado. No entanto, para minha surpresa, a casa para a qual nos dirigíamos ficava praticamente fora da área residencial. Era, na verdade, um barraco, parte em madeira, parte em alvenaria, situado no extremo do bairro, de onde se podia avistar, a poucos metros, o início de uma região totalmente desabitada. E intimamente me chamei de louco, por me expor a tamanho risco.

O casebre consistia em três aposentos: uma cozinha, um banheiro e um quarto, os quais, apesar de humildes, eram bastante limpos e arrumados. No quarto, duas camas de solteiro: a de Francisco e a de seu cunhado, além de alguns outros pequenos móveis e utensílios.

Logo que entramos, Francisco pediu que ficasse à vontade, enquanto iria tomar um banho. Pegando sabonete e toalha, dirigiu-se de imediato ao banheiro, que se constituía num pequeno aposento ao lado da cozinha e separado desta por uma abertura onde, há muito tempo, deveria ter havido uma porta. No momento, entretanto, podia-se dizer que banheiro e cozinha formavam, na prática, um único ambiente.

Enquanto tomava seu banho, Francisco procurava manter a conversa que havíamos iniciado ainda no carro. Mas era muito difícil atentar para o que ele dizia, pois de repente tinha-me dado conta de que estava adorando toda aquela situação. Deus, como podia ser tão maravilhosa aquela simplicidade! E que carga de beleza e poesia havia na cena daquele lindo rapaz, ali na minha frente, completamente despido, sob o chuveiro, expondo à minha vista todo aquele corpo exuberante, moreno, cor de canela, tendo como pano de fundo aquele ambiente de extrema rusticidade.

Enquanto meu pau renovava sua ereção, meus olhos vasculhavam aquele corpo maravilhoso, detendo-se na bunda morena, empinada, roliça e apetitosa; nos mamilos salientes, destacando-se sobre aquela fina camada de pelos negros, que se prolongavam, na forma de um vértice de triângulo, em direção ao abdome rígido; na beleza escultural das coxas grossas, levemente peludas e fortes, moldadas pela prática do futebol, e no farto campo de pentelhos negros, sobre o qual podia-se admirar um pênis moreno, bem proporcionado, em estado de semi-ereção, cuja cabeça, mais escura e brilhante, podia ser vislumbrada por sob o prepúcio que a recobria parcialmente.

Toda aquela visão e aquele cenário era algo digno, sem dúvida, de Orestes Barbosa, em seu "Chão de Estrelas". E só então compreendi tudo o que o poeta queria dizer, através de seus versos imortais.

Terminado o banho, fomos para o pequeno quarto ao lado. Enquanto ele terminava de secar-se, me desfiz das roupas que vestia e fui ao seu encontro, desejando sentir todo o seu contato, todo o seu calor e maciez.

Francisco, na mesma hora, jogou ao chão a toalha que usava e, como entendendo a fome que eu sentia, me envolveu o corpo com seus braços fortes, enquanto nossas bocas se uniam num beijo delicioso.

Não tenho a noção exata do tempo em que permanecemos assim, naquela verdadeira antecipação do paraíso, com nossas línguas se encontrando, se debatendo, tentando desbravar o íntimo do parceiro, e enquanto nossos corpos, numa interação perfeita, captavam com clareza, através do calor e dureza dos pênis que se digladiavam e do furor das mãos que se procuravam, se apertavam e se alisavam, todo o tesão que nos consumia.

Preocupado com a possibilidade de sermos observados por alguém, já que as condições precárias daquela habitação, cujas frestas e aberturas não nos protegiam totalmente da curiosidade alheia, Francisco pediu licença e apagou a luz, passando o ambiente, então, a ser iluminado apenas pela luz da lua cheia, cujos raios penetravam pelos vidros da pequena janela.

Já deitados lado a lado, voltamos a colar nossos lábios, como querendo que aquele beijo, iniciado há pouco, jamais terminasse. Enquanto isso, nossas mãos passaram agora a envolver, com carinho e suavidade, o sexo do parceiro, ávidas por avaliar o formato dos pênis e sentir toda a sua textura, toda aquela dureza quente e suave, e todo aquele palpitar de veias entumecidas e latejantes.

Pedindo a Francisco que fechasse os olhos e apenas se limitasse a sonhar, ergui meu corpo sobre o dele, passando a fazer algo que adoro e que costuma deixar meus parceiros extremamente excitados: um lento e suave passeio com a língua por todo o seu corpo. Comecei pelos nódulos de suas orelhas, passando pelo tórax e detendo-me nos mamilos, onde, com lambidas e sugadas suaves, fazia o todo o corpo do rapaz estremecer de prazer. Prosseguindo, dediquei-me inteiramente aos músculos e aos pelos de seu ventre, detendo-me no umbigo, cuja cavidade era penetrada, em movimentos suaves e circulares, pela ponta da minha língua, arrancando do meu parceiro gemidos de puro prazer.

Os gemidos de Francisco funcionavam, para mim, como uma espécie de combustível que me animava a prosseguir, sugando-lhe agora toda a região pubiana e o saco, sem contudo, tocar-lhe no cacete, o qual se debatia e pulsava desesperado. Chegava mesmo, muitas vezes, a sentir-lhe as pulsações, em seu contato com o meu rosto. Mesmo assim, deixei-o de lado, para aumentar-lhe o desejo, passando a lamber toda a extensão daquelas coxas grossas e bem torneadas, sentindo sob a língua a suavidade dos pelos curtos e macios que as recobriam, agora totalmente arrepiados pelo tesão.

Chegando aos pés do rapaz, iniciei a viagem de volta, com a mesma calma e suavidade. Francisco, a esta altura, implorava para que eu abocanhasse seu cacete, cujo contorno e rigidez podiam ser vistos mesmo sob a luz do luar.

Mas só depois de ter voltado aos mamilos e sugado-os com avidez, durante algum tempo, foi que abaixei a cabeça lentamente e agasalhei todo aquele monumento em minha boca, passando a mamar, faminto, naquele pênis que tanto eu admirara e desejara durante o banho.

Sentia agora, toda a consistência daqueles 18 centímetros de pau de garoto atlético. Sentia também todo o volume da cabeça grande e roliça, assim como o contato de minha língua com o canal da uretra, pelo qual eram expelidas pequenas quantidades de líquido lubrificante, que eu sugava com prazer.

Enquanto isso, Francisco literalmente delirava, contorcia-se e dizia palavras altamente eróticas, enquanto procurava, com movimentos dos quadrís, atingir o fundo de minha garganta. A certa altura, em meio às muitas frases que dizia, pronunciou uma que me chamou a atenção:

" - Pô, cara, você é muito melhor que o meu tio!"

Interrompendo a chupada, procurei saber o significado daquelas palavras.

Francisco então confidenciou-me que, ainda rapazinho, fora possuído por seu tio. Contou que, quando garoto, era seguidamente segurado no colo e acariciado pelo tio, não vendo nisso qualquer maldade. Com o tempo, o tio passou a aproveitar as ausências de seus pais, para fazer-lhe carícias mais íntimas. Não notando uma resistência maior, passou, algum tempo depois, a lamber-lhe e a sugar-lhe o corpo inteiro, até fazer-lhe gozar em sua boca.

Por adorar o parente e por ter começado a gostar das intimidades entre ambos, jamais contou qualquer coisa para os pais e irmãos. Assim, aos 17 anos, já consciente de sua sexualidade e do desejo de que isso acontecesse, deixou-se penetrar pelo tio, passando a manter com ele uma relação secreta que perdurou durante muito tempo.

Ouvindo essa estória, fiquei maluco. Meu tesão se multiplicou, e pedindo a Francisco que se virasse de bruços, passei a lamber-lhe as costas, descendo em direção àquela bunda morena, rígida e, ao mesmo tempo, macia. Com delicadeza, passei a sugar aquele botão apertadinho, preparando-o para a penetração que agora era necessária e urgente. E enquanto, com uma das mãos, acariciava-lhe o cacete, que ostentava todo o vigor de macho, com a língua e com os dedos procurava, aos poucos, alargar aquela grutinha quente e úmida.

Sentindo que o rapaz estava preparado, coloquei uma camisinha, lubrifiquei-lhe o ânus com um pouco de gel e, sem conseguir tirar da cabeça a imagem de seu tio desvirginando-o, comecei a penetrar-lhe lentamente, cuidando para que meu cacete, que é bastante grosso (17 x 5 cm), não o machucasse.

Francisco gemia, contorcia-se e trincava os dentes, mas aguentou garbosamente a invasão, só descontraindo os lábios quando sentiu meus pentelhos em contato com sua bunda e meu cacete totalmente mergulhado em suas entranhas, enquanto meus braços o envolviam fortemente, puxando-o em direção ao meu próprio corpo.

Permanecemos assim durante algum tempo, até que a dor inicial cedesse um pouco. Depois, voltando a masturbar seu pau, totalmente rígido e úmido, comecei a movimentar-me em seu interior, acelerando aos poucos os movimentos, até sentir que sua dor tinha dado lugar a suspiros de puro prazer, emitidos juntamente com palavras eróticas que me animavam a possuí-lo cada vez com mais ardor, fazendo-me sentir completamente dono daquele corpo másculo, de jogador de futebol, agora irremediavelmente submetido à minha vontade.

O tesão de ambos era enorme. De minha parte, sentia que não era possível segurar mais e que estava prestes a gozar. E foi então que, acelerando ainda mais os movimentos de minha vara em seu reto, e de minha mão em seu cacete, atingi o orgasmo, expelindo diversos jatos de leite quente e viscoso, que irrigaram a camisinha que protegia suas entranhas. Por sua vez, Francisco, ao sentir a pressão de meu esperma, também não conseguiu mais controlar-se, esguichando um volume impressionante de porra em minha mão e sobre o lençol da cama, enquanto, voltando a cabeça, oferecia-me seus lábios para um beijo gostoso e sensual, que durou vários minutos, até o momento em que meu pau, já semi-flácido, saía lentamente do interior de seu corpo.

Saciados e felizes, descansamos por alguns instantes, enquanto conversávamos sobre a beleza do momento que estávamos vivendo. Era realmente uma cena maravilhosa, o efeito que o luar causava sobre nossos corpos suados e em completo abandono, destacados pelo contraste com a brancura do lençol em desalinho. E nossos sexos, como que influenciados pela poesia do momento, logo voltaram a vibrar, traduzindo nosso desejo e nossa fome de carinho e amor.

Após novos beijos e novas visitas de nossas bocas famintas ao sexo do parceiro, estávamos outra vez em pleno cio e prontos para enfrentar nova batalha. E desta vez coube a mim satisfazer os desejos de Francisco, recebendo em meu corpo o pênis potente e rígido daquele macho, que há pouco fora meu.

E Francisco mostrou toda a sua competência, retribuindo-me todas as carícias que lhe fiz e possuindo-me com uma delicadeza e uma doçura surpreendentes, em se tratando de um atleta acostumado a um meio predominantemente machista e rústico.

Permanecemos juntos o resto da noite, só nos separando um pouco antes dos primeiros raios do sol, para não corrermos o risco de sermos flagrados pelo seu cunhado, que deveria chegar em breve, de volta do trabalho.

Infelizmente, não houve oportunidade de um novo encontro. Mas sei que Francisco hoje é um homem casado e que realizou seu sonho de jogar profissionalmente.

E embora, particularmente, não seja um grande apreciador de futebol, já em duas oportunidades encontrei uma forte razão para ir ao estádio e torcer por um certo time que veio jogar aqui na cidade...

NOTA: Qualquer comentário sobre este conto, escreva para eductba99@hotmail.com


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